“É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer. Há os que têm vocação para escravo,
mas há os escravos que se revoltam contra a escravidão. Não ficar de joelhos, que não é racional renunciar a ser livre.
Mesmo os escravos por vocação devem ser obrigados a ser livres,
quando as algemas forem quebradas…”
Marighella
Para a anarquia vai a humanidade
Que da anarquia a humanidade vem!
Vide como esse ideal do acordo invade
As classes todas pelo mundo além!
Que importa que a fração dos ricos brade
Vendo que a antiga lei não se mantém?
Hão de ruir as muralhas da Cidade,
Que não há fortalezas contra o bem
Façam da ação dos subversivos crime,’
Persigam, matem, zombem… tudo em vão…
A ideia, perseguida, é mais sublime,
Pois nos rude ataques à opressão,
A cada herói que morra ou desanime
Dezenas de outros bravos surgirão.
Em discurso de 10 do corrente, referindo-se V. Ex. a presos que assinaram documentos comprobatórios de maus tratos sofridos nas prisões, acentua-se que, entre os signatários, há desordeiros, desclassificados e alguns anarquistas.
Como de entre os signatários só eu sou anarquista, vejo-me classificado por V. Ex. abaixo de desordeiro e desclassificado.
Era meu propósito não retorquir à ofensa, pois não julgo mais digno ser senador que ser anarquista, porquanto se qualquer anarquista x*poderia ser senador, nem todo o senador poderá ser anarquista.
- Como, porém, temos decidido, entre nós, não deixar sem pronta repulsa qualquer insulto ou inverdades e isso para mostrar que estamos vivos, escrevo a V. Ex. estas linhas somente para agradecer a V. Ex. o favor que aos anarquistas involuntariamente fez.
Em primeiro lugar, mostrando-se V. Ex. tão intransigente inimigo dos anarquistas, chama sobre eles toda a simpatia nacional.
Em segundo lugar, deixa V. Ex. bem patente que pode V. Ex. ser tudo neste mundo, menos anarquista, o que muito nos distingue.
Em terceiro lugar, torna-se evidentíssimo que, entre os anarquistas, pode haver desordeiros, vagabundos, dinamiteiros, assassinos, salteadores, etc., etc., mas nunca, e de fato não há, nenhum Bueno Brandão.
Sem maís, sou de V. Ex.
indiferente conterrâneo.”
A natureza predatória da sociedade capitalista e sua ilusão no crescimento infinito, só pode levar ao esgotamento de recursos, à destruição do meio ambiente, reverso destrutivo desta forma de “progresso”, que junto com a utilização arbitrária e irracional das tecnologias, impõe aos gestores da desordem industrial o uso instrumental de políticas de restrições ambientalistas.
É nesse sentido que deve ser entendido a panacéia do “desenvolvimento sustentável” presente do discurso atual dos donos do Poder e em particular do Banco Mundial. Discurso ideológico que, contudo não aponta uma solução harmoniosa para o problema da pobreza, do desenvolvimento humano e da utilização das tecnologias, questões centrais da nossa época.
A desobediência civil é legítima, pois se encontra inserida no próprio conceito de cidadania que é o direito a ter direitos.
Como você vai mudar em 04 anos uma coisa que demorou 500 anos pra ser construída de forma errada?


